Casamento – Juliana & Giuseppe – Igreja de Santa Edwiges


O post de hoje é longo, pois ninguém melhor para falar sobre esse casal do que eles mesmos contando a estória de vida linda que eles têm. Abaixo transcrevo o email que a Juliana me mandou antes do casamento com parte do que eles viveram até aqui.

    “Me chamo Juliana, sou cearense de Fortaleza, tenho 35 anos e sou psicóloga. Desde fevereiro/14 estou morando em Porto Alegre devido a ter passado num concurso para a Infraero. Estou aqui nesse frio com muitas saudades da terrinha!

    Meu esposo se chama Giuseppe, ele também tem 35 anos, é operário ferreiro e italiano.

    Nos conhecemos através da internet, num momento péssimo da vida dos dois. Para ele era uma maneira despretensiosa de conversar e conhecer pessoas. Para mim, era uma busca por carinho, amor, um olhar interessado…carência com desespero, acho. Já estava cansada de encontros não tão legais, mas o Giuseppe gostava muito de conversar, era diferente. Achei que ele era muito interessante, mas não tinha menor esperança devido à distância. Tinha a barreira da língua. Eu não sabia nada de italiano e nem ele de português. Usávamos um tradutor online.

    Mas, pensei que conversar com ele era bom e me fazia bem. E aí, quando me dei conta conversávamos horas e o interesse um no outro só aumentava. Os dias viraram semanas, que viraram meses e ele resolve​u​ que queria me conhecer ao vivo. Pânico total! Achei ótimo da parte dele, mas fiquei muito tensa com a idéia da realidade acontecer.

    E ele veio mesmo…

    Beppe (o apelido dele) é de uma cidade pequena na Itália (distrito de Pádua) e nunca tinha vindo ao Brasil, portanto estava muito nervoso. Este primeiro encontro foi no Natal de 2011 bem na noite do dia 24. Lá vou eu pro Aeroporto, deixei a família toda na festa de Natal. Todo mundo: “cuidado, essas coisas de internet”, “tu não tem medo não?” “e se for um doido?” Eu não tinha medo.

    Nos encontramos e foi tudo muito tenso. A primeira coisa que ele fez depois do abraço e do beijo nervoso foi tirar um cigarro do bolso. “Vou fumar porque estou emocionado”. Como não amar?

    Nesse primeiro encontro, o Beppe descobriu mais sobre mim do que eu sobre ele. Revelei que apesar de ser uma pessoa muito querida e fofa (rsrs) tinha uma deficiência física causada por uma doença rara. Esse foi o momento mais difícil da minha vida. Me senti péssima de lhe dizer uma coisa desagradável.

    Quando você ama, não quer falar de coisas tristes. Mas, eu precisava. Antes de sua vinda havia lhe dito sobre a doença, mas pouco sobre os problemas físicos. Seu olhar foi atencioso, mas sem pena ou estranheza. Eu não entendia…era muito bom pra ser verdade.​ Esperava mais uma rejeição, mas não aconteceu.​

    Beppe se identificou, pois ele próprio teve um problema de saúde na visão que lhe tornou talvez uma pessoa mais sensível. No caso dele tudo foi resolvido e ele está com a visão ótima.

    No dia de Natal 25/12 apresentei o Beppe à minha família preocupadíssima com a minha integridade física. “Qual é a desse cara?” Mas, o Beppe tem uma coisa muito forte de conquistar as pessoas sem fazer esforço. Minha família adorou o jeito dele. Ufa!

    O namoro assim começa e vai seguindo cheio de encontros e despedidas em aeroportos, mensagens, e-mails, cartas, pacotes chegando do correio, pacotes sendo enviados, passagens, cadê a grana pra viajar, viajando sem grana, minha primeira viagem à Europa, tensão, conhecer uma família italiana, ​”o que esse povo tá falando?”, melhor comida do mundo, odeio me despedir, oba ele vem de novo!, ele já foi, a gente se ama mesmo, “quer casar comigo?” O QUE?? CASAR? EU?

    Eu nunca pensei que fosse casar, Arthur. Descobri aos 20 anos que a vida é muito frágil e que eu tinha sobrevivido de uma rasteira muito grande na forma de uma doença rara que não sabia que eu tinha. Sobreviver é fácil…você reúne suas forças num momento pra não morrer e pode dar certo ou não. Posso dizer que sobrevivi. O difícil é continuar sobrevivendo todo dia.

    Quando você adoece na juventude as pessoas tem um choque, se compadecem e querem acompanhar tudo, todos os momentos, é uma experiência bizarra. Aí você não morre e tem que viver, então as pessoas do teu convívio, colegas, amigos, parentes, vão perdendo o interesse e vão te deixando. Assim foi, com o apoio da minha família e de poucos amigos que fui tendo que me reconstruir depois das perdas físicas que tive e foi uma aventura, pode crer. Fiquei muito tempo sem me mexer, sem andar, sem falar e sem sorrir.

    De 1999 pra cá estou na luta e hoje recuperei a maioria dos movimentos, mas a luta continua. Descobri depois de um tempo que meu problema físico era algo que fazia parte de mim e precisava voltar a me amar e buscar o amor já, não depois “quando eu ficasse boa”. Apesar de não estar perfeita, eu estava boa. Estou boa pra amar porque estou viva. Se o amor não vinha eu iria buscar, no mínimo ia conhecer pessoas e quem sabe? Foi assim que utilizei a internet como te disse antes. E busquei muuuuito! Rsrsrs… Mas, foi querendo encontrar e buscando que nos encontramos eu e o Beppe. Eu quis muito amar e ser amada e me sinto assim com ele.

    Casamos no civil em dezembro/13 e esse louco quis morar aqui no Brasil. Depois que passei no concurso ele topou essa aventura de morar aqui em Porto Alegre ao invés da simpática e quentinha Fortaleza. Estamos já aqui começando a vida juntos devagar.

    Agora, chegou a hora de casar mesmo (parece que o civil não é casar mesmo). Vamos realizar esse sonho dos dois e das nossas famílias. Pra muita gente que sabe da minha história o meu casamento será algo significativo, pois acompanharam muito do que vivi. Tenho certeza que será um momento muito lindo para nós dois. Você vai ajudar muito fazendo as fotos incríveis que você faz.”

Juliana, espero que você ache as fotos realmente incríveis. :-)

Felicidades!

Ouça uma das música linda do John Mayer enquanto aprecia as fotografias especiais. Dê o play!

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Avaliação da Noiva:

5/5
Nossas fotos ficaram perfeitas! O Arthur Rosa e a Mara são muito competentes, talentosos e super sensíveis. Ficamos muito contentes com o resultado e com certeza faremos novas fotos em outras ocasiões. Abraços!


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COMENTÁRIOS SOBRE ESSE TRABALHO:

  • Jô Nascimento

    |

    Adoro esse casamento, adoro esse texto <3, o texto agrega 40% nas fotografias, ah e a música 10%.

    Reply

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